Nadia Marcinko, a Ex-Namorada de Jeffrey Epstein, em Centro de Investigação por Acusações de Cumplicidade
A figura de Nadia Marcinko, ex-namorada de Jeffrey Epstein, ganha destaque em meio a novas investigações sobre o esquema de tráfico sexual do financista. Marcinko, que manteve um relacionamento íntimo com Epstein por sete anos e atuou como piloto assistente de seu avião particular, é uma das quatro mulheres que receberam imunidade em um acordo judicial de 2008.
Embora relativamente desconhecida do público, Marcinko pode se tornar central nas apurações. A BBC, em reportagem investigativa, buscou reconstruir o papel da ex-namorada na vida de Epstein, analisando e-mails e entrevistando pessoas próximas.
As revelações apontam para uma relação complexa, onde Marcinko alega ser vítima de Epstein, mas também é apontada por depoimentos de jovens como participante em abusos. A investigação levanta questões cruciais sobre a linha tênue entre vítima e cúmplice em casos de exploração sexual, conforme informações divulgadas pela BBC.
O Início da Relação e as Alegações de Controle
Nadia Marcinko, nascida Nadia Marcinkova na Eslováquia, conheceu Jeffrey Epstein em 2003, aos 18 anos, em Nova York. Na época, ela trabalhava para a agência de modelos Karin Models, dirigida por Jean-Luc Brunel, amigo de Epstein. Segundo relatos aos investigadores após a morte de Epstein, Marcinko sentia-se dependente de Epstein, pois ele financiava o visto providenciado por Brunel e a agência.
Os e-mails trocados entre eles, analisados pela BBC, indicam um relacionamento amoroso, com Epstein chegando a declarar em 2009 que estava “apaixonado por Nadia”. No entanto, as mensagens também expõem um comportamento controlador por parte de Epstein, que ditava aspectos de sua vida, como alimentação, vestuário e até mesmo o incentivo para que ela realizasse cirurgias plásticas.
Marcinko relatou aos investigadores que Epstein era fisicamente violento, chegando a sufocá-la e jogá-la escada abaixo. Em um e-mail de 2006, Marcinko expressa desconforto com a dependência de Epstein, afirmando: “Desde que te conheci, minha vida gira em torno de você, não há mais nada que eu tenha e isso me deixa muito desconfortável”.
Recrutamento de Mulheres e o Papel de Marcinko
As investigações e os e-mails sugerem que Epstein esperava que Marcinko encontrasse outras mulheres para satisfazer seus desejos sexuais. Em um e-mail de 2006, ela escreve: “O que você acha que é uma coisa divertida de sexo? Eu farei o que puder, mesmo que seja simplesmente você fazer sexo com outra pessoa, eu não sei como isso melhora nosso relacionamento. Vou tentar encontrar garotas sempre que estivermos em Nova York.”
Embora os arquivos não contenham evidências de que Marcinko tenha apresentado menores de idade a Epstein, o recrutamento de adultas para fins de exploração sexual pode ser configurado como tráfico. Em 2006, Epstein solicitou a Brunel que colocasse Marcinko na folha de pagamento de sua nova agência de modelos, MC2, com um salário anual de US$ 50 mil, embora não esteja claro qual seria sua função.
Apesar de ter buscado independência financeira como piloto a partir de 2009, com Epstein financiando seu treinamento, o relacionamento com o financista persistiu. E-mails indicam que em 2010 eles tentavam ter um filho juntos, e Marcinko continuou a participar do recrutamento de mulheres.
Imunidade e o Debate sobre Vítimas Cúmplices
Em 2018, Marcinko começou a cooperar com o FBI, e no ano seguinte, após a prisão de Epstein, a agência apoiou seu pedido de permanência nos EUA, descrevendo-a como “recrutada, abrigada e obtida por Jeffrey Epstein e outros para fins de uma relação sexual coercitiva”. Contudo, a imunidade concedida a ela e a outras três mulheres em 2008 está sendo questionada.
A congressista republicana Anna Paulina Luna argumenta que essas mulheres se envolveram no tráfico de menores e foram cúmplices na operação de Epstein. O debate sobre se uma vítima de coerção sexual também pode ser considerada cúmplice é complexo. Bridgette Carr, professora de direito, destaca que a linha a ser traçada é se a vítima continuou a cometer crimes após escapar do controle do agressor, ou se ainda acreditava que o agressor possuía poder sobre ela.
Em 2012, em um e-mail revelador, Marcinko expressou sua angústia com os padrões de Epstein: “Eu não quero ficar com você, mas me chateia ver você usar exatamente os mesmos padrões para seduzir, manipular e, finalmente, controlar e ferir outras garotas. Eu nem gosto delas e, na verdade, me sinto culpada por saber como elas vão acabar”. Atualmente, Marcinko está afastada da vida pública, buscando sua “cura”, segundo seu advogado.