Irã Vive Clima de Tensão Após Guerra, Cidadãos Relatam Temor de Regime Mais Forte
Apesar do cessar-fogo entre o Irã e as forças internacionais, a população iraniana vive um clima de apreensão e incerteza. Relatos internos indicam que o regime da República Islâmica não apenas resistiu aos conflitos, mas se fortaleceu, agindo agora em um clima de vingança contra opositores e críticos.
Jovens casais, estudantes e profissionais liberais expressam um sentimento de desânimo e medo. A esperança de mudanças positivas após a guerra deu lugar à preocupação com um regime que parece mais implacável. A consolidação do poder nas mãos da Guarda Revolucionária e o caos econômico agravam a situação.
Relatos de advogados de direitos humanos e jornalistas independentes apontam para um aumento significativo na repressão. O temor é de que, com o fim das hostilidades externas, o Estado intensifique a perseguição interna, silenciando qualquer voz dissidente. A informação é da BBC News, que ouviu fontes dentro do país.
Repressão Intensificada e Execuções em Massa
O período da guerra, que começou após ataques dos Estados Unidos e Israel, foi marcado por um aumento alarmante nas execuções de presos políticos. Segundo a Human Rights Activists News Agency (Hrana), mais de 53 mil pessoas foram presas durante protestos anteriores ao conflito. Desde o início da guerra, milhares teriam sido detidos.
O número de execuções atingiu um patamar incomum, com 21 pessoas enforcadas durante a guerra, o maior número em um curto período em mais de três décadas. Nove executados tinham ligação com protestos de janeiro, dez foram condenados por associação a grupos de oposição e dois foram acusados de espionagem.
Susan, uma advogada que defende detidos, relata que as condições nas prisões se tornaram muito mais severas. O tratamento, antes mais brando para casos menos graves, agora se estende a um leque maior de detidos, intensificando a brutalidade do regime.
Jornalistas e Ativistas Sob Ameaça Constante
Jornalistas independentes e ativistas de direitos humanos estão entre os mais temidos alvos do regime. A acusação de colaboração com países estrangeiros, como Estados Unidos e Israel, tornou-se uma arma poderosa para silenciar a imprensa. Reportar fatos sobre o conflito, antes considerado crime político, agora pode ser enquadrado como espionagem, com pena de morte.
Armin, um jornalista que prefere não se identificar, relata a dificuldade de exercer a profissão. A prioridade mudou de investigar protestos para garantir a própria sobrevivência e a de sua família. A incerteza sobre o futuro gera uma ansiedade constante, refletindo o clima de medo que domina o país.
Famílias Divididas e o Medo do Futuro
O conflito e a repressão também dividem famílias. Susan conta que seus pais apoiam o regime, enquanto ela e seu irmão são contrários. O medo de que seus pais se tornem alvos caso o governo caia é palpável. A advogada teme que, ao fim da guerra, o regime desconte sua raiva nos prisioneiros, intensificando ainda mais a violência.
O jovem casal Sana e Diako, de Teerã, exemplifica a desilusão. Embora Diako tente manter a esperança, Sana expressa um profundo descontentamento. Ela revela ter sentido satisfação com a morte de figuras importantes do regime durante os ataques, mas a consolidação do poder após a guerra a deixou arrasada.
“Muitos deles continuam de pé. O que eu imaginei não aconteceu. Tudo piorou. E ficamos com a República Islâmica. Estou arrasada por eles terem vencido essa guerra”, desabafa Sana, refletindo o sentimento de muitos iranianos que veem o regime se fortalecer e se tornar mais vingativo.