O programa Viva Maria, da Rádio Nacional da Amazônia, celebra o Dia Mundial da Voz com uma emocionante homenagem às cantoras do rádio e às ‘Supermarias’, mulheres que, através de suas vozes e lutas, marcam a história do Brasil. A iniciativa destaca a potência feminina e a importância do rádio como espaço de imaginação e empoderamento.
Neste Dia Mundial da Voz, o programa Viva Maria, transmitido pela Rádio Nacional da Amazônia, dedica sua edição a celebrar a força e a beleza das vozes femininas que ecoaram e ainda ecoam pelas ondas do rádio. A homenagem se estende desde as pioneiras cantoras da MPB até as inspiradoras ‘Supermarias’, mulheres que, com suas histórias e lutas, se tornaram referência para muitas outras.
A iniciativa, que parte de Belém do Pará com a poeta Galvanda Galvão, da Rádio Estamira, resgata a memória de ícones como Dalva de Oliveira, cuja voz perfeita era utilizada como exemplo por Heitor Villa-Lobos. O programa reafirma o rádio como um espaço mágico, onde as vozes criam universos e conectam pessoas, mantendo viva a memória de artistas como Carmen Miranda, Marília Batista e Hebe Camargo, entre outras.
O jornalista Cláudio Paixão, que acompanha a programação da rádio desde a infância, ressalta a importância de ouvir o canto das Supermarias, que representam a força e a expressão do programa Viva Maria, próximo de completar 45 anos. A homenagem, segundo ele, é um reconhecimento ao protagonismo feminino e à rede de proteção, comunicação e empatia que o programa construiu ao longo do tempo. A informação é parte de conteúdo divulgado pelo programa. Conforme informações divulgadas pelo programa Viva Maria.
Dalva de Oliveira: Uma Voz que Marcou Época
A homenagem começa com um mergulho na história de Dalva de Oliveira, cujo nome de batismo era Vicentina de Paulo Oliveira. Nascida em Rio Claro, São Paulo, em 5 de maio de 1917, Dalva enfrentou dificuldades desde cedo, trabalhando como babá, arrumadeira e cozinheira para ajudar a mãe viúva. Sua trajetória a levou ao rádio, após passagens pelo teatro, onde formou o Trio de Ouro com Elivelto Martins e Nilo Chagas.
Batizado pelo locutor Célio Ladeira, o trio fez sucesso com canções como “Praça Onze”, “Ave Maria” e “Segredo”. A voz de Dalva de Oliveira, reconhecida por seus agudos perfeitos, ecoou por todo o Brasil, tornando-se um símbolo da era de ouro do rádio e inspirando gerações de artistas e ouvintes.
As Supermarias: Vozes de Luta e Protagonismo
O programa Viva Maria vai além das cantoras históricas e celebra as “Supermarias”, mulheres que, inspiradas pelo programa, conquistaram seu espaço e se tornaram líderes em suas comunidades. Entre elas, destaca-se a memória da feminista do sertão, dona Raimunda dos Cocos, que lutou pela ascensão das mulheres ao poder. Sua voz de luta ressoa até hoje.
A ex-vereadora Cristina Lopes Afonso é outro exemplo de Supermaria que alcançou o poder, demonstrando que a luta por representatividade tem resultados concretos. O programa Viva Maria, presente na vida de muitos desde 1986, tem sido um catalisador para o protagonismo feminino, criando uma rede de apoio e alerta entre as mulheres.
Maria Zenaide de Sousa e a Força das Parteiras
A figura da parteira Maria Zenaide de Sousa é lembrada com carinho, simbolizando o trabalho essencial e muitas vezes invisível realizado por essas mulheres. A frase “Vamos dar valor a essas parteiras, vamos, vamos, vamos pessoal, pois são a pobreza dessas parteiras que desenvolve um trabalho tão legal” ressalta a importância de valorizar essas profissionais.
Desde 1981, o Viva Maria acompanha o nascimento de dezenas de lideranças, incentivando o protagonismo feminino em diversas áreas. Casos como o de Kenya Silva, que se redescobriu na poesia através do programa, mostram o poder transformador da arte e da comunicação.
Poesia, Luta e Vozes que se Multiplicam
O poema “Eu sou uma Maria qualquer”, enviado por Kenya Silva e veiculado no Viva Maria, gerou uma onda de identificação entre as ouvintes. Cartas e pedidos para ouvir novamente o poema demonstraram o quanto as mulheres se sentiram representadas e inspiradas pelas palavras que retratam suas vidas e lutas cotidianas.
A trabalhadora doméstica Lucimar Ferreira da Silva é outro exemplo de Supermaria que conquistou seu lugar de fala. Mesmo com a resistência de sua patroa, que temia que ela se tornasse uma “militante”, Lucimar persistiu em ouvir o Viva Maria, aprendendo e abrindo sua mente para seus direitos. “Minha patroa não gostava, porque disse que eu estava virando militante, que aquele programa estava fazendo muito minha cabeça, e mesmo assim eu ouvi. Foi muito importante, aprendi muita coisa com o Viva Maria, abriu a mente”, relata.
Unidas pela voz, pela poesia, pela indignação e pelo protesto, as Supermarias buscam a visibilidade merecida. O programa Viva Maria, que em breve transitará para as ondas da internet, continua sendo um farol de esperança e empoderamento, celebrando a força feminina e a importância de cada voz no cenário brasileiro.