Vereadora Juliana de Souza denuncia colega por retirada de microfone em sessão na Câmara de Porto Alegre
A vereadora Juliana de Souza (PT) anunciou que representará o vereador Mauro Pinheiro (PP) na Comissão de Ética da Câmara Municipal de Porto Alegre. A medida ocorre após Pinheiro retirar o microfone de Souza durante uma sessão, um ato que a parlamentar classificou como “violência política de gênero” e “ataque à democracia”.
O incidente aconteceu logo após Juliana de Souza citar um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece cobrando dinheiro de um banqueiro. O conteúdo do áudio foi revelado pelo portal Intercept Brasil e confirmado pela TV Globo, adicionando um contexto de repercussão nacional ao evento local.
Em nota oficial, a vereadora petista expressou que o episódio é uma manifestação da “política de ódio que a extrema direita tem promovido no país”. Conforme informações divulgadas, a vereadora buscará todas as medidas cabíveis para que o ato não fique impune e para evitar a naturalização da violência política de gênero.
Intervenção durante debate sobre áudio de Flávio Bolsonaro
A confusão teve início quando Juliana de Souza utilizou seu tempo de fala para mencionar um áudio divulgado que envolve o senador Flávio Bolsonaro. A vereadora considerou a interrupção e a retirada do microfone uma tentativa de silenciá-la, o que, em sua visão, configura um ataque direto à liberdade de expressão e ao funcionamento democrático do parlamento.
A parlamentar enfatizou que a ação de Mauro Pinheiro não foi apenas um ataque pessoal, mas um atentado contra as prerrogativas de uma vereadora e contra a própria democracia. Ela declarou que a representação na Comissão de Ética visa garantir que episódios como este sejam devidamente apurados e que a violência política de gênero não seja normalizada no ambiente legislativo.
Vereador Mauro Pinheiro nega motivação de gênero
Em comunicado, o vereador Mauro Pinheiro (PP) afirmou que o incidente não teve qualquer relação com o fato de Juliana de Souza ser mulher. Ele defende que a retirada do microfone ocorreu estritamente no contexto da condução dos trabalhos da sessão e da preservação da ordem regimental.
Pinheiro argumentou que sua ação foi motivada pela necessidade de manter o foco na pauta em discussão e que não houve ataque pessoal ou discriminação de gênero. Ele classificou a situação como estritamente regimental, baseada no artigo 192 do Regimento Interno da Câmara Municipal de Porto Alegre, e lamentou o que chamou de “distorções narrativas” que tentam transformar um fato regimental em acusação de violência política de gênero.
Posicionamentos e próximos passos na Câmara
O presidente da Câmara Municipal, Moisés Barboza (PSDB), suspendeu a sessão após o ocorrido e informou que dará os devidos encaminhamentos à denúncia apresentada por Juliana de Souza. A vereadora reiterou seu compromisso em lutar contra a violência política de gênero e o ódio político, buscando a responsabilização do colega.
Nas redes sociais, Mauro Pinheiro se descreve como um opositor da “esquerda e do comunismo” e demonstra apoio a pautas como a manifestação contra a prisão de Jair Bolsonaro e a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A representação na Comissão de Ética promete gerar desdobramentos importantes no cenário político de Porto Alegre.
Vereadora ressalta gravidade do ato e o contexto político
Juliana de Souza descreveu o ocorrido como um “nível muito mais exacerbado e grave” de violência política de gênero, que ela já teria vivenciado anteriormente. Ela reforçou que a tentativa de cassar sua fala, enquanto parlamentar em exercício de suas funções, é um ataque à liberdade de expressão e à democracia.
A bancada do PT, conforme declarações da vereadora, entende o ato de Mauro Pinheiro como uma expressão da política de ódio promovida pela extrema direita. A representação na Comissão de Ética e as demais medidas legais visam garantir que a justiça prevaleça e que tais atos não se tornem rotina no ambiente político.