USP desenvolve CAR-T Cell com resultados expressivos contra linfoma e mira outras doenças

A terapia CAR-T Cell, uma inovação promissora no combate ao câncer, desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Instituto Butantan, apresentou resultados animadores em pacientes com linfoma não Hodgkin. Dados preliminares de um estudo clínico revelam que a **terapia celular combate o câncer com as próprias células de defesa do paciente**, após modificação genética em laboratório, alcançando uma taxa de resposta significativa.

Conduzido pelo Hemocentro de Ribeirão Preto, o estudo visa avaliar a segurança e a eficácia da CAR-T Cell, que utiliza células T geneticamente modificadas para atacar células cancerígenas. A **Universidade de São Paulo (USP)** lidera a pesquisa, que tem o potencial de transformar o tratamento de diversas doenças oncológicas e autoimunes.

Os resultados preliminares, divulgados pelo Ministério da Saúde, indicam que **9 em cada 10 pacientes com linfoma não Hodgkin apresentaram uma redução significativa da doença**. Essa taxa de sucesso, que chegou a 87,5% em um grupo de pacientes tratados, reforça o potencial da CAR-T Cell como uma das terapias mais modernas disponíveis.

CAR-T Cell: Uma Nova Fronteira no Tratamento do Câncer

A terapia CAR-T Cell funciona como um exército de elite do sistema imunológico. As células T do próprio paciente são coletadas, modificadas geneticamente em laboratório para reconhecer e destruir as células tumorais, e depois reintroduzidas no organismo. Esse método, segundo o professor titular de Hematologia da USP e um dos responsáveis pelo estudo, Rodrigo Calado, é **a terapia mais moderna no tratamento de leucemias e linfomas**.

Calado ressaltou que a versão brasileira da CAR-T Cell foi desenvolvida internamente para ser acessível aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). “O resultado até agora nos surpreendeu, com resposta de 87,5% dos pacientes ao tratamento”, afirmou o professor, que também mencionou os planos de expandir o uso da terapia para doenças autoimunes, como lúpus e miastenia gravis, com estudos clínicos previstos para breve.

Esperança para o SUS e Ampliação do Estudo

A expectativa dos pesquisadores é que, com os resultados promissores, a terapia CAR-T Cell seja incorporada pelo Ministério da Saúde, tornando-se disponível para mais pacientes do SUS. O estudo clínico de fase I/II prevê o recrutamento de pelo menos 100 pacientes, com a produção de células CAR-T para 81 participantes. Até o momento, 75 pacientes foram incluídos na pesquisa, e 25 já receberam a infusão do tratamento.

Para viabilizar o acesso amplo, a USP planeja criar uma **rede de hospitais do SUS** que será treinada e qualificada para o uso da CAR-T Cell. Essa rede incluirá instituições em, pelo menos, sete capitais brasileiras, ampliando o alcance e a capacidade de aplicação dessa tecnologia inovadora.

Acompanhamento da Anvisa e Casos de Sucesso

O desenvolvimento da terapia CAR-T Cell no Brasil está sob o olhar atento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O estudo será acompanhado pelo Comitê de Acompanhamento Regulatório da Inovação em Saúde (Innovas) da Anvisa, que monitora tecnologias estratégicas para a saúde pública. Essa colaboração visa agilizar a aprovação e a incorporação da terapia.

Casos de sucesso já ilustram o potencial da CAR-T Cell. Vamberto Luiz de Castro, em 2019, foi o primeiro paciente a alcançar remissão total após o tratamento. Mais recentemente, Paulo Peregrino, de 64 anos, que tratava um linfoma e estava prestes a receber cuidados paliativos, obteve 100% de remissão após ser selecionado para o tratamento em 2023. Sua recuperação permitiu que ele retomasse atividades como exercícios e treinos de vôlei de praia, celebrando a vida com amigos e familiares.

Como Participar e Próximos Passos

Pacientes que acreditam preencher os requisitos para o estudo devem conversar com seus médicos e solicitar que entrem em contato pelo e-mail: [email protected]. A pesquisa conta com o apoio de importantes instituições de saúde, como o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP), Unicamp, Hospital das Clínicas de São Paulo (HCFM-USP), Beneficência Portuguesa e Hospital Sírio-Libanês.

A expectativa é que os estudos clínicos em andamento e os futuros para doenças autoimunes consolidem a CAR-T Cell como uma arma poderosa e acessível no arsenal terapêutico brasileiro, oferecendo novas esperanças para pacientes com diagnósticos desafiadores.

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