Rio Acre em Alerta: Nível Abaixo de 3 Metros na Capital Acreana
O Rio Acre voltou a registrar um nível preocupante na capital Rio Branco, caindo para 2,91 metros nesta segunda-feira (22). Esta marca não era vista desde o dia 5 de junho, reacendendo o temor de uma nova crise hídrica na região. A oscilação no nível do manancial ocorre em um cenário paradoxal: o mês de junho registrou chuvas acima da média esperada, o que, em tese, deveria manter o rio em níveis mais elevados.
Apesar do volume de chuva ter superado a expectativa para junho, a queda no nível do Rio Acre levanta preocupações sobre a **vazão real** do rio e a **eficiência do armazenamento hídrico** na bacia. Especialistas alertam para a importância de monitorar não apenas o volume de chuva, mas também a capacidade de o solo e os rios absorverem e reterem essa água, especialmente diante de previsões de **secas extremas**.
O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que o volume de chuva acumulado no mês foi impulsionado por um evento isolado e intenso. Ele destacou que, sem essa precipitação concentrada, o cenário seria de **estiagem severa**, com o rio bem abaixo do esperado. A situação atual exige atenção redobrada, pois o Rio Acre se aproxima de marcas históricas de seca, como a registrada em setembro de 2024.
Chuvas Intensas em Pouco Tempo Distorcem a Média Mensal
Conforme informações da Defesa Civil de Rio Branco, até o último sábado (20), o acumulado de chuva na capital atingiu 108,2 milímetros. Este número **supera significativamente a média esperada para o mês de junho**, que era de 34,9 milímetros. A grande responsável por essa elevação foi uma chuva de 30 horas no dia 9 deste mês, que causou alagamentos em diversos bairros da cidade e registrou 103 milímetros de precipitação.
“Só temos uma quantidade de bastante acumulado por conta dessa chuva. Em 30 horas, choveu 103 milímetros, totalmente fora do planejado e do que é esperado. Se não fosse por esse dia, estaríamos abaixo da média”, afirmou o coordenador Cláudio Falcão. Ele ressaltou que, sem esse evento pontual, o mês de junho teria registrado um volume de chuvas **abaixo do normal**, evidenciando a **fragilidade do regime hídrico** local.
Previsão de Chuvas e o Risco de Seca Histórica
Apesar da chuva recente que elevou o acumulado mensal, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê a chegada de novas chuvas para o Acre nos próximos sete dias, a partir desta segunda-feira (22). Essas precipitações, embora rápidas, podem ser fortes em algumas áreas, indicando uma **dinâmica climática instável**.
A previsão aponta que o sistema de chuvas deve avançar para diversas regiões do país, incluindo o Acre, a partir de quarta-feira (24). A expectativa é que o acumulado neste período supere os 25 milímetros. No entanto, a Defesa Civil de Rio Branco mantém o monitoramento sobre a possibilidade de o Rio Acre se aproximar de marcas históricas de seca, como a de **1,23 metro em setembro de 2024**, a menor cota já registrada.
Lições do Passado: A Seca de 2024 e Seus Impactos Devastadores
A seca de 2024, que levou o Rio Acre a níveis críticos, serve como um **sinal de alerta severo**. Naquele ano, junho registrou apenas 21,1 milímetros de chuva, o que representou apenas 34% do volume esperado. A consequente e rápida vazante do rio atingiu a marca de 1,23 metros em setembro, estabelecendo um **novo recorde negativo** na série histórica.
Os impactos daquela seca foram profundos e generalizados. O **abastecimento de água** foi severamente afetado em comunidades urbanas e rurais, a **navegação** em regiões isoladas tornou-se impraticável, e a escassez hídrica contribuiu para um **aumento alarmante nas queimadas** e nos problemas respiratórios decorrentes da fumaça, evidenciando a **vulnerabilidade da região às variações climáticas extremas**.