Professores da USP se unem à greve estudantil, pedindo salários dignos e fim da repressão policial

A Associação de Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) anunciou nesta segunda-feira (25) a adesão à greve que já mobiliza os estudantes da instituição. A decisão, segundo a categoria, vem após a constatação da **ausência de avanços concretos nas negociações** com o conselho de reitores das universidades estaduais paulistas e com a própria Reitoria da USP.

A paralisação, que já ultrapassa um mês em diferentes cursos e campi, ganhou o reforço dos professores que também reivindicam melhores condições de trabalho e a responsabilização por atos de violência. A pauta conjunta busca pressionar por soluções efetivas para os problemas que afetam a comunidade acadêmica.

Entre as principais demandas que motivaram a adesão dos docentes estão a necessidade de um reajuste salarial que compense a inflação e recupere perdas históricas, além da apuração rigorosa dos fatos ocorridos durante a desocupação da Reitoria. As informações foram divulgadas pela Adusp.

Pautas centrais da greve e reivindicações docentes

Os professores da USP exigem um reajuste salarial de **4,39%**, correspondente à inflação medida pelo IPCA, acrescido de um adicional de 3%. Este percentual é visto como fundamental para a **recuperação das perdas históricas** acumuladas pelos trabalhadores das universidades estaduais paulistas. Além disso, a Adusp apoia a proposta estudantil de aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil.

A reorganização do semestre acadêmico, considerando os impactos da paralisação e dos conflitos recentes, também faz parte das reivindicações. Um ponto de grande preocupação para os docentes é a exigência de **apuração das responsabilidades pela ação da Polícia Militar** durante a desocupação da Reitoria da USP, ocorrida na madrugada de 10 de maio no campus do Butantã.

Violência policial e danos ao patrimônio universitário

Estudantes relataram ter sofrido agressões durante a ação da Polícia Militar que retirou manifestantes de uma ocupação na Reitoria da USP. Segundo a assessoria de imprensa do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, **diversos alunos ficaram feridos**. A Adusp também defende a **não criminalização e a não punição dos alunos** envolvidos nos protestos.

A Reitoria da USP, em nota, lamentou os episódios de violência e declarou que a desocupação ocorreu sem comunicação prévia. A instituição repudia que a violência substitua o diálogo e reforça a busca pela pacificação do ambiente universitário. Por outro lado, a PM informou que a ação foi gravada por câmeras e que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas. A polícia também relatou danos ao patrimônio público, como portões derrubados e vidros quebrados.

Mobilização estudantil e pautas amplas

A greve estudantil nas universidades estaduais paulistas, que já dura mais de um mês, abrange também a Unicamp e a Unesp. As pautas incluem melhorias na infraestrutura universitária e a contratação de funcionários para o Hospital Universitário da USP. Os manifestantes também expressaram críticas a privatizações de serviços públicos, como Sabesp e linhas de transporte, além de políticas habitacionais e o aumento da violência policial.

Uma comissão de estudantes chegou a ser recebida pela Casa Civil no Palácio dos Bandeirantes após um protesto que reuniu cerca de 30 mil pessoas. As reivindicações estudantis e trabalhistas foram apresentadas ao governo, demonstrando a amplitude do movimento.

Condições precárias e falta de infraestrutura nos campi

A mobilização estudantil também expõe problemas estruturais graves em residências universitárias, como no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp). Relatos e imagens mostram luminárias queimadas, pisos, janelas e canos quebrados, além de mofo e infiltrações não resolvidas. Em cozinhas coletivas, a falta de manutenção impede o uso adequado dos espaços, como fogões com vazamento de gás.

Na Unesp, estudantes do Instituto de Artes pedem a ampliação de serviços básicos noturnos, como atendimento médico e funcionamento da biblioteca. A mobilização ganhou força após a morte da professora Sandra Regina Campos, que sofreu um mal súbito durante uma palestra, levantando questionamentos sobre a disponibilidade de suporte médico nos campi.

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