PF apreende mais de R$ 100 mil em dinheiro na casa de ex-diretor de hospital no ES; investigação apura fraudes em contratos
A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira (19) a Operação Jogo de Peças, que investiga um suposto esquema de corrupção e fraude em contratos na área da saúde. Durante a ação, foram apreendidos R$ 113,9 mil em espécie na residência de um ex-diretor da Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí, no Sul do Espírito Santo.
A investigação abrange o período de 2016 a 2024 e apura o direcionamento e superfaturamento de contratos, principalmente na manutenção de equipamentos e aquisição de materiais hospitalares. A suspeita é que parte dos valores pagos retornava aos envolvidos como vantagens indevidas, em um esquema que pode ter causado prejuízos significativos aos cofres públicos.
A ação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES). O material apreendido, incluindo documentos e equipamentos eletrônicos, será analisado para determinar a participação de cada investigado. As informações são da Polícia Federal.
Esquema de direcionamento e superfaturamento investigado
Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia o direcionamento de licitações para beneficiar uma empresa específica do setor de saúde. O delegado Arcelino Vieira Damasceno detalhou que um empresário participava da elaboração dos processos licitatórios, formulando descritivos de produtos e serviços que, posteriormente, garantiam a sua vitória no certame devido ao direcionamento prévio.
O ex-diretor da Santa Casa de Guaçuí, que ocupou cargo de gestão durante parte do período investigado, é apontado como um dos agentes públicos que teriam recebido pagamentos ilícitos. A Polícia Federal informou que a investigação continua para identificar outros contratos, elementos e possíveis envolvidos na empreitada criminosa.
Santa Casa de Guaçuí não é alvo da operação
Em nota oficial, a Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí esclareceu que não é alvo da Operação Jogo de Peças. A instituição ressaltou que a investigação está restrita a uma empresa fornecedora de equipamentos médicos e que a unidade de saúde tem colaborado ativamente com as autoridades.
A Santa Casa assegurou que os atendimentos à população seguem normalmente, sem qualquer impacto aos pacientes. A instituição também se colocou à disposição da Justiça e da imprensa para prestar os esclarecimentos necessários, reforçando seu compromisso com a transparência.
Nome da operação e possíveis crimes
O nome da operação, “Jogo de Peças”, faz referência a um termo supostamente utilizado pelos investigados para tratar de pagamentos de propina. De acordo com a Polícia Federal, cada “peça” corresponderia a R$ 1 mil. Os envolvidos podem responder por crimes como associação criminosa, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva e fraude em licitações, dependendo do resultado das apurações.
A operação cumpriu seis mandados de busca e apreensão em Vitória, Serra e Guaçuí, além de ordens judiciais para bloqueio de bens e valores. Ninguém foi preso e os nomes dos investigados não foram divulgados pela corporação até o momento. A análise do material apreendido é crucial para dimensionar o prejuízo aos cofres públicos.