Novo Desenrola tem baixo alcance, revela pesquisa Quaest, enquanto 69% dos brasileiros seguem endividados
Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) pela Quaest aponta que apenas 10% dos brasileiros endividados afirmam ter sido beneficiados pelo Novo Desenrola, programa relançado em maio com o objetivo de renegociar dívidas com descontos.
Apesar de o programa visar cidadãos com renda de até cinco salários mínimos, o levantamento indica uma baixa percepção de impacto, com 88% dos entrevistados declarando não ter sido alcançados pela iniciativa. Outros 2% não souberam responder.
O estudo, encomendado pela Genial Investimentos e realizado entre os dias 5 e 8 de junho com 2.004 pessoas, também revela que o percentual de brasileiros com muitas dívidas diminuiu para 23%, ante 28% em maio. Contudo, o endividamento total ainda afeta 69% da população.
Avaliação do Novo Desenrola varia conforme espectro político
A pesquisa destaca que a avaliação do Novo Desenrola 2.0 difere significativamente entre os grupos políticos. Entre os lulistas, 70% consideram a iniciativa uma boa ideia, enquanto apenas 33% dos bolsonaristas compartilham dessa opinião. Eleitores de direita não bolsonarista apresentam um índice de aprovação de 29%, em contraste com 73% entre eleitores de esquerda não lulistas.
Os eleitores independentes mostram uma aprovação moderada, com 51% considerando o programa uma boa ideia. Essa disparidade na percepção sugere que a comunicação e o alcance do Novo Desenrola podem estar mais efetivos entre determinados segmentos da população.
Endividamento geral: um quadro complexo com nuances positivas
Os dados da Quaest indicam uma leve melhora no cenário do endividamento. O percentual de brasileiros que declararam ter muitas dívidas caiu para 23%, representando uma redução em relação aos 28% registrados em maio. Paralelamente, o número de pessoas que afirmam ter poucas dívidas subiu para 46%, praticamente estável em comparação com o mês anterior (45%).
Um dado positivo é o aumento na parcela de entrevistados que declararam não ter dívidas, que passou de 27% para 30%. Essa tendência, embora gradual, aponta para um possível alívio financeiro para uma parte da população brasileira, segundo a pesquisa.
Detalhamento do endividamento por faixa de renda e percepção do programa
A pesquisa também segmentou os dados de endividamento por faixa de renda. Entre aqueles que ganham de 2 a 5 salários mínimos, 22% relatam ter muitas dívidas, 50% poucas dívidas e 27% nenhuma dívida. Já para aqueles com renda acima de 5 salários mínimos, o cenário é mais preocupante, com 26% declarando muitas dívidas, 36% poucas dívidas e 37% nenhuma dívida.
Em relação à percepção sobre o Novo Desenrola, a pesquisa detalha que, entre os lulistas, 70% veem o programa como uma boa ideia, enquanto 13% acham que ajuda um pouco e 12% o consideram uma má ideia. Entre os bolsonaristas, os números são 33% (boa ideia), 30% (ajuda um pouco) e 36% (má ideia).
Aprovação do Novo Desenrola entre diferentes grupos políticos
Os eleitores de esquerda não lulistas demonstram a maior aprovação do Novo Desenrola, com 73% considerando-o uma boa ideia. Para os independentes, o índice é de 51%. Já o grupo de direita não bolsonarista registra apenas 29% de aprovação. A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, com margem de erro de dois pontos percentuais.