Ministério Público determina abertura de inquérito para investigar suspeitas na compra de imóveis pelo prefeito de Rio Preto
O Ministério Público (MP) de São José do Rio Preto (SP) determinou a abertura de um inquérito para investigar possíveis irregularidades na compra de dois imóveis pelo prefeito Coronel Fábio Cândido (PL) e familiares. As suspeitas envolvem a aquisição de uma casa em condomínio fechado e um sítio no distrito de Talhado, com alegações de pagamento em dinheiro vivo.
A investigação atende a uma representação feita por um grupo de vereadores da cidade. Inicialmente, o procedimento havia sido arquivado, mas a Procuradoria-Geral do Estado determinou o prosseguimento com base em novos indícios de irregularidades. As informações foram apuradas pela TV TEM.
Conforme a denúncia dos parlamentares, a casa em condomínio fechado, registrada em nome de um irmão do prefeito, teria tido seu valor patrimonial declarado inferior ao valor real pago em espécie. Já o sítio, com 36 mil metros quadrados, estaria em nome do prefeito e sua esposa, Josiane Cândido, e teria sido adquirido por R$ 600 mil em dinheiro, valor superior ao declarado na escritura.
Detalhes da denúncia e depoimento chave
A denúncia apresentada pelos vereadores Alexandre Montenegro (PL), João Paulo Rillo (PT), Pedro Roberto Gomes (Republicanos) e Renato Pupo (Avante) detalha as suspeitas. O antigo proprietário do sítio, José Luís Pessina Filho, confirmou em depoimento à TV TEM ter recebido R$ 600 mil em dinheiro vivo pela venda da propriedade.
“Foi vendido por R$ 600 mil (a terra). Pagos em espécie. Foi pago no cartório. Ele mandou um dinheiro, depois mandou mais uma sacola de dinheiro. Ele ia pagar via PIX, mas não fez. Ele preferiu mandar em dinheiro, tudo em espécie”, declarou Pessina Filho. Sua esposa, Fernanda Pessina, acrescentou que o prefeito e amigos realizaram um churrasco no local para comemorar a compra.
Procuradoria-Geral reabre investigação após fatos novos
O procedimento de investigação chegou a ser arquivado pela Promotoria de Rio Preto no mês passado. No entanto, a Procuradoria-Geral do Estado decidiu reabrir o caso após a apresentação de novas informações e documentos pelos vereadores. Esses elementos foram anexados à denúncia inicial, motivando o prosseguimento das apurações.
Os detalhes sobre o pagamento em dinheiro vivo foram fornecidos pelo antigo proprietário do sítio durante um depoimento a uma comissão da Câmara dos Vereadores em abril, gravado pela TV legislativa. Essas informações foram cruciais para a decisão da Procuradoria-Geral.
Prefeito afirma estar tranquilo e confiante na legalidade dos atos
Em nota oficial, o prefeito Coronel Fábio Cândido declarou estar “tranquilo” em relação à denúncia e à abertura do inquérito. Ele expressou plena convicção na legalidade de seus atos e na regularidade de seu patrimônio.
“Todos os bens encontram-se devidamente declarados aos órgãos competentes e são compatíveis com sua renda acumulada ao longo da carreira como Coronel da reserva da Polícia Militar, bem como com os subsídios recebidos no exercício do cargo de prefeito municipal”, afirmou a assessoria do prefeito na nota.
Fábio Cândido ressaltou que ainda não existe acusação formal e que a investigação é uma apuração preliminar. Ele destacou que o arquivamento inicial ocorreu devido aos elementos disponíveis na época, e a reabertura se deu por conta de “fatos novos” apresentados posteriormente. O prefeito colocou-se à disposição das autoridades para prestar os devidos esclarecimentos.