Ministro da Fazenda Dario Durigan detalha encontro histórico entre Lula e Trump, destacando respeito e temas cruciais para o Brasil.
O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, trouxe à tona detalhes sobre o recente encontro entre o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington. A reunião, que se estendeu por três horas, foi marcada por um clima de “deferência” e respeito mútuo, conforme relatado por Durigan em entrevista à TV Brasil.
Durante a conversa, os líderes exploraram temas de grande relevância para ambos os países, incluindo a **relação comercial, o combate ao crime organizado internacional e a exploração de minerais estratégicos**. O ministro, que participou ativamente do diálogo, descreveu um início informal onde ambos compartilharam suas trajetórias de vida, com Trump demonstrando surpresa com relatos da infância de Lula e sua ascensão política.
Um dos pontos de maior comoção foi quando Lula relatou o período em que esteve preso, um momento que, segundo Durigan, emocionou ambos os presidentes. O ministro destacou a impressão de admiração de Trump por Lula, que teria crescido após o encontro. Conforme Durigan, a reunião, que também incluiu conversas sobre temas pessoais e familiares, buscou estabelecer uma base de proximidade antes das negociações formais de Estado. As informações foram divulgadas pelo Ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Relação Comercial sob Nova Ótica
A pauta econômica foi um dos pilares da reunião, com o governo brasileiro contestando a narrativa de que os EUA teriam prejuízos comerciais com o Brasil. Durigan lembrou que, segundo dados da própria administração Trump, o déficit comercial brasileiro com os EUA foi de US$ 30 bilhões em 2025. No entanto, o Brasil argumentou que suas compras de serviços, tecnologia e produtos americanos são volumosas, beneficiando a economia dos EUA.
O ministro enfatizou que o Brasil “não merece ser punido” com tarifas, pois o fluxo de dólares do país se dirige aos Estados Unidos. A defesa brasileira foi clara: o país não deveria ser equiparado a nações como a China em termos de medidas tarifárias, dado que a relação comercial é favorável aos norte-americanos.
Combate ao Crime Organizado e Minerais Estratégicos em Foco
A segurança pública e o combate ao crime organizado transnacional foram outros eixos centrais. Lula propôs o aumento da cooperação para rastrear recursos financeiros de facções criminosas, incluindo lavagem de dinheiro em paraísos fiscais e estruturas empresariais nos EUA, como em Delaware. Durigan apontou que “empresas brasileiras devedoras estão botando dinheiro em Delaware, que é um paraíso fiscal”.
Adicionalmente, foram apresentados dados sobre a origem de armas ilegais apreendidas no Brasil, com a maioria tendo origem nos Estados Unidos. A questão das drogas sintéticas, que vêm dos EUA para o Brasil, também foi discutida, com o desejo brasileiro de cooperar para evitar esse contrabando. Como resultado prático, foi acordada a integração entre a Receita Federal brasileira e a aduana americana para compartilhamento de inteligência e rastreamento financeiro, visando “asfixiar a engrenagem que financia o crime”.
A exploração de minerais estratégicos, como nióbio, grafeno e terras raras, essenciais para a tecnologia e a transição energética, também esteve em pauta. O Brasil apresentou sua estratégia para esses minerais, buscando “segurança jurídica para um negócio que interessa ao mundo”. Lula deixou claro que o país não repetirá modelos históricos de exportação apenas de matéria-prima, priorizando a soberania e o incentivo à industrialização local, alinhado ao discurso de “Brasil em primeiro lugar”.
Descontração e Temas Globais na Conversa
Apesar da seriedade dos temas, o encontro teve momentos de descontração. Durigan relatou que, durante o almoço, Trump expressou sua preferência por não ter frutas em sua salada. A guerra no Oriente Médio e os riscos econômicos globais também foram abordados, com Lula demonstrando preocupação com os impactos geopolíticos e econômicos dos conflitos internacionais sobre o Brasil. O governo brasileiro avaliou que o ambiente cordial facilitou a abertura para futuras negociações estratégicas e diplomáticas entre os dois países.