Irmandade da Boa Morte tem dirigentes afastadas após denúncias de violência psicológica contra idosas
A Justiça da Bahia determinou o afastamento de duas dirigentes da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, localizada em Cachoeira, no Recôncavo baiano. A decisão atende a um pedido de medidas protetivas de urgência concedidas a 13 integrantes idosas da instituição.
As acusadas, entre elas uma policial militar da ativa, foram proibidas de se aproximar das idosas, mantendo uma distância mínima de 100 metros, e de qualquer forma de contato, seja pessoal ou virtual. A determinação judicial busca proteger as irmãs idosas de supostas violências psicológicas e coação moral.
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), em decisão unânime da Segunda Câmara Cível, reformou uma decisão anterior de primeira instância que havia negado o pedido. O processo teve origem em uma ação movida pelas próprias irmãs da confraria, que relataram os abusos sofridos. Conforme informação divulgada pelo g1, a decisão, assinada pelo desembargador Eduardo Afonso Maia Caricchio, foi proferida em 31 de março de 2026.
História e Tradição da Irmandade da Boa Morte
A Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte possui raízes profundas na história da Bahia, com indícios de sua fundação remontando a 1810 em Salvador. Originada por mulheres escravizadas de países africanos, o grupo inicialmente atuava na libertação de escravos, um papel fundamental em sua criação.
Após perseguições que levaram à sua extinção, a irmandade retomou suas atividades em 1840 na cidade de Cachoeira, que na época apresentava uma economia próspera. A escolha do nome “Boa Morte” está ligada aos anseios de pessoas escravizadas que, diante do sofrimento, clamavam por uma morte digna, buscando a intercessão de Maria.
A Luta pela Preservação Cultural e Religiosa
A confraria chegou a contar com cerca de 150 integrantes, com posições passadas entre gerações. Apesar de sua expressividade numérica, as mulheres da Irmandade da Boa Morte enfrentaram desafios para manter seu culto a uma santa católica, ao mesmo tempo em que preservavam a ancestralidade africana, integrando o culto aos orixás das religiões de matriz africana.
A **violência psicológica** e a **coação moral** denunciadas contra as dirigentes representam um choque com a história de luta e resistência da Irmandade da Boa Morte. A decisão judicial visa garantir a integridade e o bem-estar das irmãs idosas, protegendo o legado desta importante instituição cultural e religiosa da Bahia.
Medidas Protetivas e Afastamento das Dirigentes
A **medida protetiva de urgência** concedida pela Justiça da Bahia impõe um **afastamento físico e virtual** das duas dirigentes em relação às 13 idosas. A distância mínima de 100 metros e a proibição de qualquer contato visam cessar imediatamente as práticas de **violência psicológica** relatadas.
A decisão do TJ-BA, que reverteu o entendimento inicial da primeira instância, reforça a importância de proteger as pessoas vulneráveis e garantir que instituições históricas como a Irmandade da Boa Morte possam prosseguir com suas atividades sem a ocorrência de abusos e **coação moral**.