Tensão no Oriente Médio: Irã nega destruição de suas forças armadas pelos EUA e Israel, enquanto negociações e ameaças se intensificam
Em meio a uma escalada de tensões no Oriente Médio, o Irã veio a público nesta quinta-feira (16) para desmentir veementemente alegações de que suas forças navais e aéreas teriam sido destruídas em ataques atribuídos aos Estados Unidos e Israel.
A resposta iraniana surge em um momento crítico, com negociações de paz em andamento e o prazo para um cessar-fogo se aproximando. A situação é delicada, com ambos os lados trocando ameaças e demonstrações de força.
Enquanto o Irã reafirma sua capacidade militar, os Estados Unidos mantêm uma postura firme, alertando para possíveis novas ações caso um acordo não seja alcançado. Acompanhe os desdobramentos dessa complexa crise diplomática e militar.
Irã Afirma Capacidade Militar e Distância dos EUA
O comandante do Exército iraniano, Amir Hatami, declarou em pronunciamento na TV estatal que a frota do país “segue firme” e que as forças americanas se mantêm a uma distância de 300 quilômetros. Hatami rebateu as informações sobre a destruição da Força Aérea, relatando um incidente onde, segundo ele, o Irã teria escoltado um convidado com o dobro de aeronaves que os americanos pretendiam usar para escolta.
EUA Ameaçam com Mais Ataques e Mantêm Bloqueio
Por outro lado, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou em coletiva de imprensa no Pentágono que as Forças Armadas americanas estão “prontas para retomar o combate se o Irã não aceitar um acordo”. Hegseth reiterou que a Marinha iraniana foi completamente destruída e que o bloqueio militar no Estreito de Ormuz, iniciado em 13 de maio, será mantido “pelo tempo que for necessário”.
Hegseth ameaçou que, caso o Irã “faça escolhas ruins”, “bombas cairão sobre a infraestrutura, o setor elétrico e energético”. Ele também comentou sobre o estado de saúde do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, acreditando que ele esteja “ferido, mas vivo”, ecoando declarações anteriores sobre seu possível escondimento e desfiguração.
Bloqueio em Ormuz e Controvérsias
O general Dan Caine, comandante das forças americanas, detalhou que o bloqueio militar em Ormuz abrange tanto águas territoriais iranianas quanto internacionais, e que nenhum navio foi interceptado até o momento. Contudo, o Irã afirmou na quarta-feira (15) que duas de suas embarcações conseguiram furar o bloqueio e atravessar o estreito.
Em resposta, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou que dez navios iranianos foram impedidos de atravessar o estreito desde o início do bloqueio. A Guarda Revolucionária iraniana, por sua vez, ameaçou bloquear o fluxo comercial no Mar Vermelho e impedir exportações e importações no Golfo Pérsico e no Mar de Omã caso o bloqueio americano persista.
Envio de Tropas e Negociações em Andamento
Em um movimento de pressão, os Estados Unidos ordenaram o envio de mais de 10 mil militares adicionais para o Oriente Médio, segundo o jornal “The Washington Post”. Essa movimentação inclui cerca de 6.000 soldados a bordo do porta-aviões USS George H.W. Bush e sua escolta, além de aproximadamente 4.200 militares do Grupo Anfíbio de Prontidão Boxer. Essas tropas se somarão aos cerca de 50 mil americanos já envolvidos na região.
Paralelamente, a Casa Branca expressou otimismo quanto à possibilidade de uma segunda rodada de negociações de paz com o Irã no Paquistão, com as conversas ainda em andamento. Analistas veem o envio de tropas como uma tática para pressionar Teerã antes de uma nova rodada de diálogo.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, manteve contatos com o Paquistão, país que tem servido de intermediário nas comunicações com os EUA. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, reafirmou o direito do país ao uso pacífico da energia nuclear, com a porcentagem de enriquecimento sendo um ponto “negociável”.