Entenda a Operação Vêrnix e os Motivos por Trás da Apreensão de Bens de Deolane Bezerra
A influenciadora Deolane Bezerra teve uma reviravolta em sua vida financeira e jurídica com a apreensão de seus carros de luxo e o bloqueio de R$ 27 milhões. Essas ações foram realizadas no âmbito da Operação Vêrnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em maio deste ano. O objetivo principal, segundo os promotores, é impedir que os investigados se desfaçam de seus patrimônios antes que as apurações sejam concluídas.
A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), aponta para um risco concreto de dilapidação de bens. Isso se deve, conforme o MP-SP, à facilidade com que os envolvidos realizam transferências patrimoniais, utilizando tanto pessoas jurídicas quanto interpostas pessoas para ocultar a origem e o destino dos valores.
Essas informações foram detalhadas em um relatório divulgado pelo Ministério Público, que também formalizou a denúncia contra Deolane e outras seis pessoas. A suspeita central é de uma possível ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do país. Os detalhes revelam um esquema complexo onde a influenciadora teria atuado como uma figura chave.
Deolane Bezerra como “Caixa” da Facção
De acordo com o relatório do Ministério Público, Deolane Bezerra teria funcionado como uma espécie de “caixa” para a facção criminosa. A investigação aponta que ela movimentava quantias milionárias ligadas às atividades ilícitas do PCC. Para isso, utilizava sua estrutura financeira e a imagem de respeitabilidade social que possuía.
O objetivo seria inserir esses valores, de origem duvidosa, no sistema financeiro formal. Essa estratégia de lavagem de dinheiro é comum em organizações criminosas que buscam legitimar seus ganhos ilícitos. A influenciadora, com sua visibilidade, oferecia uma fachada para essas operações.
Planos de Reestruturação e Fuga para Dubai
As apurações do MP-SP também indicam que Deolane Bezerra possuía planos de reestruturar suas empresas. Além disso, havia a intenção de transferir recursos para fundos localizados em Dubai. O país é conhecido internacionalmente por abrigar as chamadas “shell companies”, empresas de fachada frequentemente utilizadas para facilitar a lavagem de dinheiro em escala internacional.
Essa movimentação sugere uma tentativa de ocultar ainda mais os rastros do dinheiro e de proteger o patrimônio de futuras ações judiciais. A escolha de Dubai, com sua legislação favorável a estruturas empresariais complexas, reforça a suspeita de planejamento para dificultar o rastreamento dos fundos.
Prisão e Condições da Detenção
Deolane Bezerra encontra-se presa desde 22 de maio deste ano em uma cadeia feminina em Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Apesar das restrições inerentes à prisão, a unidade prisional oferece algumas comodidades. A influenciadora tem acesso a produtos de estética e higiene uma vez por semana.
A cela individual na qual está detida é equipada com itens básicos como cama, mesa, cadeira e banheiro com chuveiro elétrico. Além disso, dispõe de ventilador, televisão e acesso a água gelada e garrafa térmica. A unidade também conta com um solário para banho de sol diário, visando o bem-estar dos detentos.
Patrimônio e Estilo de Vida Ostentativo
Os carros de luxo apreendidos na operação possuem um valor de mercado estimado entre R$ 220 mil e R$ 2,5 milhões. Essa apreensão se soma a outras investigações que já haviam apontado para um patrimônio considerável ligado à influenciadora. Uma investigação anterior em Pernambuco indicou que Deolane teria investido mais de R$ 65 milhões em imóveis e veículos de luxo.
Nas redes sociais, Deolane Bezerra frequentemente exibia seu estilo de vida luxuoso. Entre os bens ostentados estavam carros esportivos de alta gama, helicópteros, jet skis, joias valiosas e mansões em condomínios de alto padrão como Alphaville. Viagens internacionais em jatos particulares e hospedagens em hotéis de luxo também eram comuns em seu conteúdo.
Outros Envolvidos e Fugitivos
O relatório do MP-SP também destacou que dois outros denunciados, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos de Marcola, permanecem foragidos. Há informações de que eles estariam no exterior, o que, na visão da Promotoria, justifica o pedido de prisão preventiva para garantir a aplicação da lei penal.
A investigação também aponta que Marcola e seu irmão Alejandro, mesmo já cumprindo pena em uma unidade federal de segurança máxima, teriam cometido novos delitos. Entre eles, a integração a uma organização criminosa e lavagem de capitais durante o cumprimento de suas sentenças. Isso reforça o pedido de manutenção da prisão preventiva para garantir a ordem pública.
Defesa Contesta as Acusações
A defesa de Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, representada pelo advogado Bruno Ferullo, emitiu um comunicado. A defesa alega que Marcola e Alejandro cumprem pena em regime de segurança máxima desde 2019 e estão submetidos a severas restrições, o que tornaria inviável qualquer participação nos fatos investigados.
Em relação a Leonardo e Paloma, sobrinhos de Marcola, a defesa contesta as citações do Ministério Público. Argumenta que o mero vínculo familiar não pode ser interpretado como participação criminosa e que a proximidade afetiva não deve servir de base para uma acusação. Sobre o patrimônio e dinheiro citados, o advogado afirmou que a regularidade dos bens foi comprovada e esclarecida.
Bruno Ferullo declarou que serão adotadas todas as medidas processuais cabíveis para demonstrar a fragilidade da narrativa acusatória e a improcedência das imputações feitas aos seus clientes. A defesa busca provar a inocência de seus representados diante das graves acusações.