Acre decreta emergência de saúde pública devido ao aumento expressivo de casos de gripe e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
O governo do Acre declarou estado de emergência em saúde nesta quinta-feira (4), diante de um cenário alarmante de mais de 1.300 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 37 mortes registradas entre janeiro e maio deste ano. A medida visa agilizar a resposta e a alocação de recursos para combater o surto que tem levado à superlotação das unidades de saúde em todo o estado.
O aumento de casos notificados representa um crescimento superior a 31% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registradas 989 ocorrências. Os dados recentes superam também os 1.029 casos de 2024, indicando uma circulação intensificada de vírus respiratórios como influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus, adenovírus e metapneumovírus.
A situação levou a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) a emitir um alerta epidemiológico reforçando a importância da vacinação, da prevenção e da identificação precoce dos sintomas, especialmente em crianças pequenas, idosos e indivíduos com maior vulnerabilidade. Conforme informações divulgadas pelo governo do Acre, a rede de alta complexidade do estado já apresenta ocupação crítica em UTIs e enfermarias pediátricas.
Rede hospitalar sob pressão com alta ocupação de leitos
A superlotação nas unidades de saúde é um dos principais motivos que levaram à decretação da emergência. O decreto autoriza a adoção de medidas administrativas urgentes para restabelecer a normalidade. O serviço de regulação de leitos aponta para uma ocupação quase completa nas UTIs e enfermarias pediátricas, com taxas que chegam a 91,9% na UTI Pediátrica 1 e 89,2% na UTI Pediátrica 2, além de 87,7% nas enfermarias infantis.
Crianças e idosos são os grupos mais afetados pelas complicações respiratórias
As estatísticas revelam que 37 óbitos por SRAG foram registrados até o final de maio. Deste total, 14 eram crianças, sendo que 7 tinham menos de 2 anos de idade, com bronquiolites e pneumonias como causas principais. Onze idosos também faleceram em decorrência de síndromes respiratórias. Crianças menores de 2 anos, em particular, demandam atenção especial devido aos casos de bronquiolite associados ao vírus sincicial respiratório (VSR), com mais de 350 notificações nesta faixa etária somente este ano.
Medidas de prevenção e vacinação continuam sendo essenciais
A Sesacre reforça a necessidade de medidas preventivas, como a higienização frequente das mãos, o uso de máscaras por pessoas com sintomas gripais e a evitação de levar crianças doentes para escolas e creches. Manter ambientes ventilados e buscar atendimento médico ao primeiro sinal de agravamento são recomendações cruciais. A vacinação contra a gripe está disponível para o público em geral em todo o Acre.
VSR e bronquiolite: riscos para os bebês e crianças pequenas
O vírus sincicial respiratório (VSR) é um dos principais responsáveis por casos graves de síndrome respiratória em recém-nascidos e crianças pequenas. As unidades de saúde do estado oferecem imunização contra o VSR para gestantes, e imunoglobulina para bebês prematuros nascidos a partir de abril de 2026. O VSR tem contribuído significativamente para o aumento das internações pediátricas no Acre, e a doença pode causar complicações em idosos e pessoas com comorbidades.
Identificando os sintomas e buscando atendimento médico
É fundamental reconhecer os sintomas das doenças respiratórias. O resfriado comum apresenta coriza, espirros e congestão nasal. A gripe, causada pelo vírus Influenza, surge de forma repentina com febre alta, dores no corpo e tosse persistente. A bronquiolite, comum em bebês e crianças menores de 2 anos, pode evoluir com chiado no peito e dificuldade para respirar. Em casos de dúvidas, sintomas intensos, ou sinais de gravidade como falta de ar, respiração acelerada, lábios arroxeados ou sonolência excessiva, é indispensável procurar atendimento médico imediatamente em uma UPA ou Pronto-Socorro.