Esquema milionário do PCC em Roraima é desarticulado com descoberta de ‘cofre central’ em área rural
Um esconderijo subterrâneo, apelidado de ‘cofre central’ pelos próprios criminosos, foi o epicentro para a condenação de seis membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Roraima. A descoberta em uma propriedade rural no município de Caracaraí revelou um sofisticado esquema de armazenamento e distribuição de drogas.
O local servia como ponto estratégico para guardar entorpecentes antes de serem enviados para os diversos pontos de venda da facção no estado. A operação, que movimentava quantias expressivas, foi desmantelada com base em provas contundentes, incluindo vídeos que registravam a contagem e pesagem das drogas.
As sentenças, proferidas pela Vara Criminal Única da Comarca de Caracaraí, somam mais de 54 anos de prisão para os seis condenados, com penas individuais variando entre três e quase dez anos. A decisão judicial, divulgada pelo Ministério Público, destacou o alto grau de organização da estrutura criminosa, conforme informação divulgada pelo Ministério Público.
Líderes e Operadores Financeiros Condenados
Entre os sentenciados está Rodrigo Alberto Xavier, conhecido como ‘Sorriso Maroto’, que foi enviado de São Paulo para chefiar as operações do PCC em Roraima, condenado a 8 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. Cilara Rodrigues de Souza, a ‘Kauany’, recebeu pena de 9 anos, 1 mês e 7 dias, por atuar no recrutamento de mulheres e gerenciar as ‘lojas’ do tráfico.
Thelrislainy Stifany de Jesus Icassatte, ‘Allanna’, também foi condenada a 9 anos, 1 mês e 7 dias, por operar as finanças e o pagamento do aluguel do esconderijo. Gleimerson Leonardo de Souza, o ‘Profeta’, pegou 8 anos, 2 meses e 15 dias, por gerenciar uma ‘loja’ e enviar vídeos de pesagem de drogas para a cúpula.
Dono da Propriedade e o ‘Cofre Central’
José Daniel Alves de Sousa, proprietário da área rural onde o ‘cofre central’ foi encontrado, foi condenado a 3 anos, 5 meses e 7 dias em regime semiaberto. Ele alugava sua propriedade por R$ 1.000 mensais para que a facção enterrasse um tambor com 3,3 quilos de cocaína. José Daniel alegou inicialmente que desconhecia o conteúdo, mas a Justiça rejeitou a tese após ele confessar ter descoberto a natureza da carga.
Um sexto condenado, cuja identidade não foi divulgada, recebeu a pena mais alta, de 9 anos, 11 meses e 7 dias, por funções restritas como ‘Restrito da FM’ e ‘Guarda-Roupa’. As autoridades destacaram que a descoberta do esconderijo foi crucial para a desarticulação do grupo.
Operação Milionária e o ‘Setor da FM’
O grupo operava o ‘Setor da FM’ (Família) do PCC, uma rede estruturada de tráfico de drogas com pelo menos 55 pontos de venda, as chamadas ‘lojas’, espalhados por diversos municípios de Roraima. A estimativa é de um faturamento diário de R$ 1,5 milhão, com uma parcela significativa do lucro sendo enviada para a cúpula em São Paulo.
Relatórios de inteligência e vídeos apreendidos comprovaram a atuação dos criminosos, que realizavam auditorias detalhadas do estoque de drogas. A Justiça determinou o perdimento de todos os bens apreendidos e a incineração das drogas apreendidas.
PCC: Expansão e Domínio em Roraima
O PCC, que surgiu há mais de 30 anos, expandiu sua atuação por todo o Brasil e é considerado uma máfia com cerca de 40 mil membros. Em Roraima, um estudo recente aponta que a facção domina a criminalidade, estando presente em 13 dos 15 municípios do estado e com domínio exclusivo em cinco deles.
Um dos casos de destaque na sentença foi o de Cilara Rodrigues de Souza (‘Kauany’), que teve sua prisão domiciliar revogada e a preventiva decretada por continuar comandando o tráfico mesmo sob monitoramento. A operação em Roraima reforça o compromisso das autoridades em combater o crime organizado no estado.