Inovação Baiana: Conheça o ChocoMed, Chocolate Desenvolvido para Pessoas com Diabetes Tipo 2
Estudantes do Centro Territorial de Educação Profissional Médio Rio das Contas (Cetep/MRC), em Ipiaú, no interior da Bahia, desenvolveram um chocolate especial, batizado de “ChocoMed”, voltado para pessoas com diabetes tipo 2. A iniciativa surge como uma alternativa para que diabéticos possam desfrutar de um doce sem comprometer sua saúde.
O diabetes, doença crônica caracterizada por níveis elevados de açúcar no sangue devido à produção insuficiente ou má absorção de insulina, exige atenção especial na alimentação, especialmente de quem convive com o tipo 2. Pensando nisso, a equipe buscou criar uma fórmula que atendesse às necessidades nutricionais desse público.
O “ChocoMed” utiliza ingredientes com baixo valor glicêmico, buscando minimizar o impacto na taxa de açúcar no sangue. A ideia partiu da preocupação dos alunos com a qualidade de vida de pessoas com a condição. Conforme informações divulgadas pelo g1, o projeto é resultado de um ano de estudos e testes.
A Composição do ChocoMed e Seus Benefícios
A fórmula do chocolate “ChocoMed” é composta por cacau 70%, manteiga de cacau, uma mistura de farinha de semente de abóbora com polpa de melão-de-são-caetano, e leite em pó zero lactose. Um dos diferenciais é a ausência de adição de açúcar, tornando-o uma opção mais segura para diabéticos.
Lívia Bispo, uma das estudantes envolvidas, destacou o longo processo de pesquisa e desenvolvimento. “Foi um longo processo que envolveu diversas pesquisas, testes e mudanças contínuas. Com isso, chegamos a um resultado mais completo e alinhado com a nossa proposta”, explicou à reportagem.
A equipe buscou equilibrar o sabor com as propriedades nutricionais. “Juntar todos os ingredientes para que o resultado final fosse saboroso, mas sem perder o foco na saúde. E estudar cada ingrediente separadamente para juntá-los”, completou Adígena Neta, outra estudante do projeto.
O Potencial Terapêutico e a Busca por Aperfeiçoamento
O professor Lucas da Conceição ressalta que o diferencial do “ChocoMed” reside em suas propriedades bioativas. “Esses componentes apresentam compostos que, segundo estudos científicos, podem contribuir para a regulação metabólica e auxiliar no controle dos níveis de glicose no sangue”, afirmou.
Atualmente, o produto está em fase de desenvolvimento e ampliação. Os estudantes já realizaram degustações iniciais e acompanham um grupo de controle para analisar os efeitos do consumo. A médica endocrinologista Ana Mayra comentou que chocolates com maior teor de cacau, como o “ChocoMed”, tendem a ter menor impacto na glicemia, mas o consumo deve ser controlado.
“Quanto maior o teor de cacau, menor impacto terá sobre a glicemia, mas ele não pode ser consumido de forma absolutamente liberada”, alertou a especialista. Ela também elogiou a inclusão de fibras, como as da semente de abóbora, benéficas para o controle glicêmico e saciedade.
Próximos Passos e a Realidade da Diabetes no Brasil
Apesar de ainda não estar pronto para comercialização, os alunos do “ChocoMed” almejam expandir a pesquisa e transformar o chocolate em uma linha de produtos. A comercialização dependerá de novos estudos, obtenção de patente, investidores e patrocinadores, segundo Elias Costa, outro membro da equipe.
No Brasil, a diabetes afeta mais de 13 milhões de pessoas, representando 6,9% da população nacional, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes. A Diabetes Tipo 2, mais comum em adultos, está frequentemente associada ao excesso de peso e histórico familiar, conforme explica a endocrinologista Ana Mayra.
A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) orienta que o acompanhamento da diabetes deve iniciar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com encaminhamento para centros especializados em casos de maior complexidade, como o Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba).