Polícia de SP desmantela esquema de tortura de filhotes de gatos em lives, alertando para perigosos crimes virtuais.
Filhotes de gatos se tornaram as vítimas preferenciais em atos de crueldade transmitidos ao vivo nas redes sociais. A Polícia Civil de São Paulo monitora, em média, de 10 a 15 casos por madrugada, revelando uma rede criminosa preocupante.
Esses atos de maus-tratos não são isolados, mas sim parte de dinâmicas em grupos online. A polícia investiga que a violência contra animais funciona como um gatilho, uma espécie de “porta de entrada” para crimes mais graves no ambiente virtual.
A gravidade da situação foi destacada pela delegada Lisandréa Salvariego, que coordena o Núcleo de Observação e Análise Digital. Ela explica que a tortura de animais é usada para dessensibilizar os usuários a outras formas de violência, como o incentivo à automutilação.
Hierarquia do Ódio e Pontuações Virtuais
Segundo a delegada, indivíduos que assistem ou participam dessas transmissões cruéis recebem “pontos” dentro da hierarquia de grupos de ódio em plataformas como o Discord. Essa dinâmica incentiva a escalada da violência e a participação em atividades ilícitas.
Desde que o núcleo de investigação foi criado no final de 2024, um número expressivo de 582 pessoas foram presas ou apreendidas por crimes na internet. O dado alarmante é que cerca de 90% desses casos envolvem o consumo ou a prática de maus-tratos contra animais.
Discord se Posiciona Contra Maus-Tratos
Em resposta às investigações, o Discord se manifestou, afirmando possuir políticas rigorosas contra maus-tratos a animais e outros conteúdos nocivos. A plataforma utiliza sistemas de moderação e aplica as leis vigentes.
A empresa declarou que, ao identificar violações, pode encerrar servidores, banir contas envolvidas e denunciar os casos às autoridades, sempre em conformidade com a lei. A colaboração das plataformas digitais é fundamental no combate a esses crimes.
Alerta aos Pais e Responsáveis
A delegada Lisandréa Salvariego faz um apelo especial aos pais e responsáveis, pedindo atenção ao comportamento dos filhos. É crucial monitorar o conteúdo que eles consomem nas redes sociais, bem como os horários de uso dos dispositivos eletrônicos.
Sinais de alerta como isolamento social e o uso excessivo de telas durante a madrugada devem ser observados com atenção. A delegada ressalta a importância de não permitir que crianças e adolescentes durmam com acesso a dispositivos, pois muitos desses crimes ocorrem nesse período.