Trump intensifica pressão sobre o Irã em meio a negociações cruciais e tensões nucleares
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar o regime iraniano, classificando-o como “não o grupo mais amigável” após o tratamento dado aos manifestantes no país. As declarações ocorrem em um momento delicado, com o prazo para o fim do cessar-fogo se aproximando e a pressão por um acordo aumentando significativamente.
Em entrevista à CNBC, Trump mencionou o número de “42 mil manifestantes desarmados, inocentes, muitos deles enforcados”, ressaltando a natureza repressiva do regime. Ele afirmou que, apesar das dificuldades, os Estados Unidos estão lidando com o Irã “com muito sucesso”.
As críticas de Trump ecoam declarações anteriores, nas quais ele havia alertado os líderes iranianos sobre a adoção de “medidas muito duras” caso a repressão aos manifestantes continuasse. O Irã, por sua vez, através de seu ex-líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, reconheceu a morte de milhares de iranianos durante protestos no início do ano, culpando Trump por ter “incentivado abertamente” os manifestantes.
Programa nuclear e ameaças de guerra dominam as negociações
Enquanto as tensões diplomáticas se elevam, Trump busca fechar um acordo para encerrar a guerra com o Irã. No entanto, o país ainda não deu uma resposta positiva sobre a participação nas negociações no Paquistão. Autoridades paquistanesas indicaram que as delegações chegariam apenas na quarta-feira, dia 22, deixando poucas horas para um acordo antes do término da trégua de duas semanas.
Trump ameaçou reiniciar a guerra e atacar a infraestrutura civil do Irã caso o país não aceite seus termos. Uma primeira rodada de negociações, realizada há dez dias, não resultou em acordo. Teerã vinha descartando uma segunda rodada após os EUA se recusarem a encerrar o bloqueio e apreenderem um navio cargueiro iraniano, o que o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, classificou como uma tentativa de Trump de “transformar a mesa de negociações em uma mesa de submissão”.
Impasse no Estreito de Ormuz e programa nuclear em foco
O Irã, por sua vez, informou que estava “analisando positivamente” sua participação nas negociações, mas ressaltou que aguardava o atendimento de suas condições, incluindo o reconhecimento do direito de enriquecer urânio. Um alto comandante militar iraniano declarou que o país estava pronto para dar uma “resposta imediata e decisiva” a qualquer renovação das hostilidades, de acordo com a agência de notícias Tasnim.
O controle do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20 milhões de barris de petróleo diariamente, é um ponto crucial nas negociações. O Irã havia anunciado a reabertura do estreito na semana passada, mas reverteu a decisão após Trump se recusar a suspender o bloqueio aos portos iranianos, mantendo o estreito fechado e impactando o fornecimento global de energia.
O programa nuclear iraniano é a questão central
Trump deseja um acordo que impeça novos aumentos nos preços do petróleo e choques no mercado de ações. Ele insiste que o Irã não possui os meios para desenvolver uma arma nuclear e quer que o país abra mão de seu estoque de urânio altamente enriquecido. Teerã, por outro lado, espera usar seu controle sobre o Estreito de Ormuz para fechar um acordo que evite a guerra, suspenda sanções e permita a manutenção de parte de seu programa nuclear, que o país afirma ter fins pacíficos.
O cessar-fogo, inicialmente previsto para duas semanas a partir de 7 de abril, foi estendido até a noite de quarta-feira, 22 de abril. Fontes paquistanesas indicaram que a trégua expiraria às 20h, horário dos Estados Unidos, correspondendo às 3h30 da manhã de quinta-feira no Irã. A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã causou um choque histórico no fornecimento global de energia e gerou temores de colapso da economia mundial.